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Total de Questões Encontradas: 2.627 de 252.126
Exibindo: Página 513 de 526

Questão: 2561 / QT-265587
Ano: 2017
Banca: CESPE / CEBRASPE
Órgão: Prefeitura de São Luís - MA
Cargo: Professor Nível Superior/PNS-A - Língua Portuguesa
Disciplina: Português

Sem dúvida foram as teses ilustradas que clandestinamente entraram a formar a bagagem ideológica dos nossos árcades e lhes deram mais de um traço constante: o gosto da clareza e da simplicidade graças ao qual puderam superar a pesada maquinaria cultista; os mitos do homem natural, do bom selvagem, do herói pacífico; enfim, certo mordente satírico em relação aos abusos dos tiranetes, dos juízes venais, do clero fanático, mordente a que se limitou, de resto, a consciência libertária dos intelectuais da Conjuração Mineira. A análise a que a historiografia mais recente tem submetido o conteúdo ideológico da Inconfidência é, nesse ponto, inequívoca: zelosos de manter o fundamento jurídico da propriedade (que a Revolução Francesa, na sua linha central, iria ratificar), os dissidentes de Vila Rica apenas se propunham evitar a sangria que nas finanças mineiras, já em crise, operaria a cobrança de impostos sobre o ouro (a derrama).

Alfredo Bosi. História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 1997, p. 66-7 (com adaptações).


De acordo com o texto precedente, as relações entre o Arcadismo e a Inconfidência Mineira se limitaram aos interesses das elites locais, sem ter havido reivindicação de mudanças profundas na estrutura da sociedade brasileira. Essa perspectiva dos árcades brasileiros se expressou esteticamente pela

-

evocação dos mitos do homem natural, do bom selvagem e do herói pacífico.

-

sátira dirigida aos abusos dos tiranetes, dos juízes venais e do clero fanático.

-

utilização de teses ilustradas que questionavam os fundamentos jurídicos da propriedade.

-

manutenção da maquinaria cultista na poesia árcade.

-

adoção da clareza e da simplicidade na composição poética.


Questão: 2562 / QT-265588
Ano: 2017
Banca: CESPE / CEBRASPE
Órgão: Prefeitura de São Luís - MA
Cargo: Professor Nível Superior/PNS-A - Língua Portuguesa
Disciplina: Literatura

Texto 10A2BBB


                 Eu, Marília, não fui nenhum vaqueiro,

                 fui honrado pastor da tua aldeia;

                 vestia finas lãs e tinha sempre

                 a minha choça do preciso cheia.

                 Tiraram-me o casal e o manso gado,

                 nem tenho a que me encoste um só cajado.


                  Para ter que te dar, é que eu queria

                  de mor rebanho ainda ser o dono;

                  prezava o teu semblante, os teus cabelos

                  ainda muito mais que um grande trono.

                  Agora que te oferte já não vejo,

                  além de um puro amor, de um são desejo.


                  Se o rio levantado me causava,

                   levando a sementeira, prejuízo,

                   eu alegre ficava, apenas via

                   na tua breve boca um ar de riso.

                   Tudo agora perdi; nem tenho o gosto

                    de ver-te ao menos compassivo o rosto.

Tomás Antônio Gonzaga. Marília de Dirceu. In: A. Candido e A. Castello. Presença da literatura brasileira. Das origens ao Romantismo. São Paulo: Difel, 1976, p. 165 -6.

A principal característica árcade presente nas estrofes do texto 10A2BBB é

-

o sofrimento amoroso, que restringe o poema ao mundo interior do eu lírico e o distancia da realidade material.

-

a predominância da atmosfera bucólica e pastoril, que confere aos versos um efeito de simplicidade clássica.

-

a presença da herança clássica, que se traduz na constante evocação dos deuses greco- romanos.

-

o preciosismo do vocabulário, que, por vezes, dificulta a compreensão do texto pelo leitor.

-

o dilaceramento do eu lírico entre a simplicidade da vida campestre e o conforto da vida na cidade.


Questão: 2563 / QT-265589
Ano: 2017
Banca: CESPE / CEBRASPE
Órgão: Prefeitura de São Luís - MA
Cargo: Professor Nível Superior/PNS-A - Língua Portuguesa
Disciplina: Português

Texto 10A2BBB


                 Eu, Marília, não fui nenhum vaqueiro,

                 fui honrado pastor da tua aldeia;

                 vestia finas lãs e tinha sempre

                 a minha choça do preciso cheia.

                 Tiraram-me o casal e o manso gado,

                 nem tenho a que me encoste um só cajado.


                  Para ter que te dar, é que eu queria

                  de mor rebanho ainda ser o dono;

                  prezava o teu semblante, os teus cabelos

                  ainda muito mais que um grande trono.

                  Agora que te oferte já não vejo,

                  além de um puro amor, de um são desejo.


                  Se o rio levantado me causava,

                   levando a sementeira, prejuízo,

                   eu alegre ficava, apenas via

                   na tua breve boca um ar de riso.

                   Tudo agora perdi; nem tenho o gosto

                    de ver-te ao menos compassivo o rosto.

Tomás Antônio Gonzaga. Marília de Dirceu. In: A. Candido e A. Castello. Presença da literatura brasileira. Das origens ao Romantismo. São Paulo: Difel, 1976, p. 165 -6.

As três estrofes que compõem o texto 10A2BBB são construídas a partir de uma mesma estrutura: seis versos, dos quais os quatro primeiros apresentam uma situação que é completamente invertida nos dois versos finais de cada estrofe. O elemento literário que demarca os dois momentos contrapostos da vida do eu lírico é

-

o espaço, que é urbano e refinado nos primeiros versos e se converte em rústico nos versos finais.

-

a configuração da personagem Marília, que era inicialmente alegre e compassiva, mas, ao final, se torna triste e impiedosa.

-

a constituição do eu lírico, que, nos versos iniciais, se denomina pobre, mas honrado, e passa a se revelar rico, porém infeliz, nos dísticos finais.

-

a mudança do foco narrativo da primeira para a terceira pessoa, o que transforma em distanciamento a aproximação inicial do leitor com o texto.

-

o tempo, que distingue a condição favorável do passado da situação desfavorável do presente.


Questão: 2564 / QT-265590
Ano: 2017
Banca: CESPE / CEBRASPE
Órgão: Prefeitura de São Luís - MA
Cargo: Professor Nível Superior/PNS-A - Língua Portuguesa
Disciplina: Literatura

Texto 10A2BBB


                 Eu, Marília, não fui nenhum vaqueiro,

                 fui honrado pastor da tua aldeia;

                 vestia finas lãs e tinha sempre

                 a minha choça do preciso cheia.

                 Tiraram-me o casal e o manso gado,

                 nem tenho a que me encoste um só cajado.


                  Para ter que te dar, é que eu queria

                  de mor rebanho ainda ser o dono;

                  prezava o teu semblante, os teus cabelos

                  ainda muito mais que um grande trono.

                  Agora que te oferte já não vejo,

                  além de um puro amor, de um são desejo.


                  Se o rio levantado me causava,

                   levando a sementeira, prejuízo,

                   eu alegre ficava, apenas via

                   na tua breve boca um ar de riso.

                   Tudo agora perdi; nem tenho o gosto

                    de ver-te ao menos compassivo o rosto.

Tomás Antônio Gonzaga. Marília de Dirceu. In: A. Candido e A. Castello. Presença da literatura brasileira. Das origens ao Romantismo. São Paulo: Difel, 1976, p. 165 -6.

As liras de Marília de Dirceu, de que as estrofes do texto 10A2BBB fazem parte, são exemplos da perspectiva pré-romântica da poesia árcade brasileira. Nesse sentido, o lirismo amoroso de Tomás Antônio Gonzaga se mostra mais distante da formalidade árcade e mais próximo da espontaneidade romântica, embora ainda conserve elementos próprios do Arcadismo, como a

-

evasão para o sonho e para a fantasia, o que expressa o descontentamento do eu lírico frente à experiência amorosa frustrada.

-

idealização da mulher amada, apresentada como uma musa inacessível que recusa o amor do eu lírico.

-

impassibilidade do eu lírico, incapaz de expressar abertamente seus sentimentos à sua amada.

-

delegação poética, pela qual a subjetividade do eu lírico é transferida à figura genérica e universal do pastor.

-

liberdade de criação, que propicia ao eu lírico utilizar livremente a imaginação, sem apego aos modelos da tradição clássica.


Questão: 2565 / QT-265591
Ano: 2017
Banca: CESPE / CEBRASPE
Órgão: Prefeitura de São Luís - MA
Cargo: Professor Nível Superior/PNS-A - Língua Portuguesa
Disciplina: Português

Texto 10A2CCC


                              Canção do Tamoio

                               (Natalícia)


                        Não chores, meu filho;

                        Não chores, que a vida

                        É luta renhida:

                        Viver é lutar.

                        A vida é combate,

                        Que os fracos abate,

                        Que os fortes, os bravos

                        Só pode exaltar.


                        Um dia vivemos!

                        O homem que é forte

                        Não teme da morte;

                        Só teme fugir;

                        No arco que entesa

                        Tem certa uma presa,

                        Quer seja tapuia,

                        Condor ou tapir.


                         E pois que és meu filho,

                         Meus brios reveste;

                         Tamoio nasceste,

                          Valente serás.

                          Sê duro guerreiro,

                          Robusto, fragueiro,

                          Brasão dos tamoios

                          Na guerra e na paz.


                           Teu grito de guerra

                           Retumbe aos ouvidos

                           D’imigos transidos

                           Por vil comoção;

                           E tremam d’ouvi-lo

                           Pior que o sibilo

                           Das setas ligeiras,

                           Pior que o trovão.


                           Porém se a fortuna,

                           Traindo teus passos,

                           Te arroja nos laços

                           Do inimigo falaz!

                           Na última hora

                           Teus feitos memora,

                           Tranquilo nos gestos,

                            Impávido, audaz.


                           E cai como o tronco

                           Do raio tocado,

                           Partido, rojado

                           Por larga extensão;

                           Assim morre o forte!

                           No passo da morte

                           Triunfa, conquista

                           Mais alto brasão.


                           As armas ensaia,

                           Penetra na vida:

                           Pesada ou querida,

                           Viver é lutar.

                           Se o duro combate

                           Os fracos abate,

                           Aos fortes, aos bravos,

                           Só pode exaltar.

Gonçalves Dias. Canção do Tamoio. Internet: <www.dominiopublico.gov.br>  (com adaptações).

A partir do texto 10A2CCC, é correto afirmar que, na poesia indianista, a configuração estética do indígena reflete valores e costumes da sociedade brasileira do século XIX, pois, no poema,

-

o índio é inserido em um ambiente predominantemente urbano, sem conexão efetiva com a natureza local.

-

os elementos da cultura indígena são substituídos pelos costumes burgueses adotados pela sociedade brasileira da época.

-

a cultura indígena é mesclada a valores universais para provocar a identificação do brasileiro com um passado heroico ideal.

-

o indígena é representado de forma realista, sendo sua morte trágica relacionada ao advento do processo colonialista.

-

a atitude guerreira dos indígenas do passado é contraposta ao moderno ideal de civilidade da vida burguesa.



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