O trecho seguinte alude aos limites de uma
estratégia de
crescimento financiada por poupança externa.
Quando um país decide aceitar essa proposta de
“crescimento com poupança externa”, a primeira consequência é a apreciação da taxa de câmbio. Em
seguida, do lado da oferta, ocorre o aumento artificial
dos salários, e, em consequência, o aumento do
consumo interno [...]. Do lado da demanda, o resultado
é o mesmo: a apreciação da moeda provoca a
diminuição das oportunidades de investimento lucrativo
voltadas para a exportação; caem os
investimentos e,
em termos keynesianos, cai a poupança interna. Mais
amplamente, o endividamento
externo provoca uma
sucessão de três males: primeiro, temos uma elevada
taxa de substituição da
poupança interna pela externa, grande parte das entradas de capitais financiando
o consumo ao invés
do investimento; segundo, temos
o aumento do endividamento externo que leva o país
a uma condição
de fragilidade externa e à política desastrosa do confidence
building, a aceitar sem crítica
as recomendações de nossos credores e concorrentes;
e, terceiro,
temos a crise de balanço de pagamentos.
BRESSER-PEREIRA, L.C.
Déficits, câmbio e crescimento. O
Estado de São Paulo,
São Paulo, mar.2010. Adaptado.
De acordo com o autor, um país que se guia por uma estratégia de “crescimento com
poupança externa”